sexta-feira, 6 de abril de 2012

Virtualidade

A sociedade vive um momento de medo e temor diante de tanta violência, o que a faz isolar-se e esconder-se do mundo atrás de altos muros, portões fechados e cercas elétricas. Grande é a busca por segurança e os cuidados para correr o menor risco possível. Por outro lado, com o advento da era digital e o surgimento das redes sociais bem como sua adesão imediata e crescimento acelerado de usuários, a vida das pessoas voltou a ficar em evidência, mas dessa vez com uma super exposição desmedida e bem pouco segura. 

O que os altos muros escondem, as simpáticas fotografias revelam de forma detalhada e permanentemente acessível. A privacidade antes tão primada e reservada, de repente está a um clique apenas. O desejo de se expor agora sobrepõe à necessidade de não ser visto e não ser notado, não ser alvo. Assim fica difícil entender o que de fato querem as pessoas, quais são suas intenções. Ora se fecham como ostras, ora se abrem como girassóis.

Conectamo-nos com pessoas que vivem do outro lado do planeta, gente que não conhecemos, com índole, procedência e comportamento desconhecidos. Sequer podemos afirmar que a foto no perfil é da mesma pessoa com quem trocamos ideias e informações pessoais, ao menos de nossa parte. Na contramão disso, também mantemos uma relação virtual com quem mora ao lado, alguém que diariamente encontramos e raramente cumprimentamos. Amigos de redes sociais e ainda desconhecidos de vida social.

Ainda há muito o que aprender sobre relacionamento. Ainda há muito o que descobrir sobre comportamento humano. Enquanto isso brincamos de fazer amigos, campanhas sociais em prol dos direitos humanos que não saem do mundo virtual, inventamos uma vida serena e feliz para expor ao mundo. 

O fato é que em plena era digital nada que não tenha cabo USB ou conexão com a rede mundial de computadores parece nos atrair. Ainda assim penso que, a internet assim como o conhecimento, não é o melhor da vida, o segredo está, porém, no uso que de ambos se faz.

Um abraço conectado e virtual a todos!
Este texto é dedicado à minha querida amiga e leitora Ramily Soave Inácio que gentilmente sugeriu o tema.

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