terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Solidariedade

Estamos em fevereiro, quase março e a solidariedade está em baixa. O espírito natalino adormeceu. Aquele anseio coletivo de ajudar o próximo, de ir ao encontro, a necessidade de fazer o bem sem olhar a quem expirou. 
Pior para os pobres, mendigos e mais necessitados. Azar o deles que sentem frio, fome e sede o ano todo. Pior para eles que não conseguirão fazer uma cesta básica durar o ano inteiro.

Por algum motivo ainda não estudado e não compreendido, às vésperas das festas natalinas as pessoas sentem um desejo bonito, porém perecível de ajudar e ser solidárias com os mais necessitados. Contudo, infelizmente quem precisa desse tipo de ajuda, precisa o ano inteiro, assim como quem passa fome, frio e sede não o faz somente nessa época. E não dá pra maquiar essa situação fazendo o bem somente em um mês. E os outros 11?
Isso é hipocrisia. Marketing pessoal. É querer compensar em uma doação todas as outras que não foram feitas ao longo de todo o ano. Se quisermos ser solidários, sejamos sempre. Escolha ser um cidadão de bem, solidário, acolhedor sempre, contudo, se essa tarefa lhe parecer árdua e impossível de realizar, acalme-se, pois já é quase março e faltam apenas 9 meses para o Natal chegar de novo.

Abraços solidários a todos!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É carnaval sim, e daí?

Não que eu tenha algo contra o carnaval. Talvez meu problema seja com a maneira que as pessoas escolheram para celebrar essa festa popular. Que o Brasil é um país tropical, com mulheres e homens dotados de uma beleza distinta dos demais povos eu até entendo, mas o que tem a ver tudo isso com todas essas mulheres desfilando quase nuas pelas avenidas de todo o país? Corpos totalmente à mostra sem qualquer pudor ou bom senso. 

E o que dizer então das tantas famílias que são destruídas no fervor da folia ao longo de 4 ou 5 dias? Pais que deixam suas esposas e filhos em casa e vão procurar no meio da farra algo que não perderam, logo, jamais poderiam encontrar. Mães que deixam seus filhos com os avós, com o pai e em casos mais graves, até mesmo sozinhos em casa e vão desfilar a beleza de seus atributos físicos para estranhos contemplarem e cobiçarem. Tantos jovens têm iniciação sexual, alcoólica ou até mesmo com drogas durante o carnaval. Tantos filhos serão frutos dessa "diversão" inconsequente. 

Quantas jovens serão violentadas durante esse período. Não que não haja violência sexual no resto do ano, mas sabemos o quanto os estupros são mais comuns nessa época. Também de que outra forma poderiam reagir os que sofrem com distúrbios sexuais e tantas outras enfermidades que afetam sua sanidade? Falta de caráter que seja, o fato é que não são pessoas normais. Eles estão soltos por aí e sabemos disso. Já abordam e atacam mulheres que trajam roupas comuns que cobrem boa parte de seus corpos, o que não fariam com essas moças tão jovens que saem às ruas usando o menor dos trajes que têm em casa? Sempre ao final de cada noite de folia as delegacias receberão as "vítimas" relatando seus dramas, as violências sofridas. 

É aí que eu entro nessa história e questiono: quem é a verdadeira vítima dessa história? As mulheres que saíram quase nuas de casa e foram estupradas ou o vulgo tarado que está ali já pronto para qualquer coisa? Estou certa de que as belas mulheres se vestiram, ou melhor, se despiram pensando em provocar e atrair os belos homens, mas o tiro acaba saindo pela culatra e elas acabam despertando a atenção de todos, eu disse todos. O fato é que as vezes não sei distinguir a vítima do vilão.

Brinquemos, dancemos, pulemos o carnaval, mas estejamos certos de qual é o nosso objetivo, que nossas roupas e nossas atitudes possam deixar claro para as demais pessoas o que buscamos nesta que é dita a maior festa popular do Brasil.

Abraços carnavalescos a todos!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rótulos humanos

Não sei porque as pessoas gostam tanto de se rotular. Fazem sempre questão de num momento de apresentação dizer que são magras ou gordas, negras ou brancas, evangélicas, católicas ou outra crença. Os rótulos por si só já supõem um preconceito, uma discriminação ou um comentário desnecessário a meu ver. Preconceito aliás, que parte do próprio locutor, daquele que fala.

Na verdade quando ouço algo do tipo fico sem saber o que dizer. Não sei se lamento, sinto pena ou raiva diante dessas situações. O que muda no conceito que uma pessoa tem a seu respeito quando você fornece uma informação dessa? Acrescenta algo?

Quando conheço alguém gosto de dizer que sou simpática, alegre, espontânea, sincera, impaciente e um tanto quanto chata quando o assunto é falsidade, ingratidão e discursos feitos em meio a rodeios, aqueles que muito falam e pouco dizem. Isso sim faz toda a diferença em mim, é o que me torna um ser humano único, interessante, gente boa ou não, depende do gosto e do ponto de vista de cada um.

Pessoas rotuladas são dignas de piedade, demonstram insegurança em suas falas e são demasiadamente desinteressantes. Por exemplo: quando me inscrevo em algum processo seletivo digo que sou negra, mas que não estou interessada em cotas para negros porque minha capacidade intelectual nada tem a ver com a cor da minha pele. Quando faço menção ao fato de eu ser gorda, só o faço para brincar com essa realidade, não que eu espere uma palavra amiga de alguém me consolando por causa dessa tragédia. Ah quer saber? Que se explodam os comentários, consolações e que se explodam também os rotulados, aqueles que se auto-rotulam. Vamos deixar de fazer papel de vítima, sejamos heróis ou vilões, mas sejamos alguém que age, luta, se movimenta e não aquele que sempre faz o coitadinho, o fraco, injustiçado.

O mundo precisa de gente forte, gente que faz, gente com personalidade forte e autêntica. Se tivermos que usar um rótulo que seja este, não outros de ordem mesquinha. Acorde, seja mais você, sempre!

Abraços desrotulados a todos!