Nasci para ser professora, não há dúvidas quanto a isso. Gosto de dar aulas de inglês, mas há alguns meses tenho trabalhado como estagiária em uma escola de educação infantil com crianças de 1 a 2 anos. Tenho 10 alunos em uma sala e fico 4 horas e 15 minutos com eles todos os dias. São uns queridos, fofos, dependentes, carinhosos, terríveis, teimosos e arteiros. São crianças.
Tenho dito que lá na creche sou mais babá do que professora. Preciso sentar-me no chão para brincar e afagar os pequenos; pegá-los no colo, dar banho, trocar fralda, colocar pra dormir. Sou babá em meio período. A tarefa não é fácil, afinal é preciso cuidar deles como se fossem meus. Auxiliá-los quando necessário cuidando pra não deixá-los com sede, febre ou fome. Eles retribuem todo esse carinho e cuidado que dispenso a eles mas, em contrapartida, eles aprontam das suas e então é preciso corrigi-los e tentar convencê-los de que certas coisas não devem acontecer.
Com a convivência diária eles acabam me chamando de mãe, é normal nessa idade e, principalmente, com crianças que ficam na creche em período integral como é o caso desses. As vezes fico pensativa, refletindo o grau de carência desses pequenos que passam o dia com desconhecidos íntimos a ponto de chamar-nos de mãe. É isso que sou: uma desconhecida, porém, íntima dos meus "filhos". Durante 4 horas do dia tudo o que acontece com eles é de minha responsabilidade (e também da professora a quem auxilio), tudo o que eles precisam é a mim que procuram para socorrê-los, eu sou tudo o que eles têm.
Oito meses experienciando esse fato novo e posso dizer com conhecimento de causa: é fácil amar e cuidar do próprio filho mas, para amar e cuidar dos filhos de estranhos é preciso ter o dom. Sou, sem dúvida, professora, babá e mãe. Isso me causa uma sensação estranha, mas sempre sorrio quando digo essa frase. Sorrio agora.
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